A porta que se abre quando você agradece

A porta que se abre quando você agradece

A porta que se abre quando você agradece

A gratidão não empurra a vida. Ela abre, por dentro, um lugar para recebê-la.

Minha querida amiga humana,

Há momentos em que você não percebe que se fechou.

Não houve uma decisão, nem um instante exato em que a porta foi trancada.

Foi acontecendo devagar: uma decepção que pediu cautela, uma espera longa demais, responsabilidades que não davam espaço para sentir, a necessidade de continuar mesmo sem saber de onde tirar força.

Por fora, você segue. Responde mensagens, organiza a casa, cuida de pessoas, resolve o que precisa ser resolvido.

Mas, por dentro, talvez uma parte sua tenha aprendido a deixar a porta quase fechada. Não porque deixou de amar a vida. Porque não queria ser ferida outra vez.

Eu sei como isso acontece. Depois de algum tempo, receber também pode parecer arriscado.

A esperança parece exigir demais. A alegria assusta porque pode passar.

O descanso vem acompanhado da pergunta sobre o que você esqueceu de fazer. Até um gesto bonito encontra o coração ocupado tentando se proteger.

Por isso, este texto não veio bater com força na sua porta. Não veio pedir que você confie em tudo, sorria para tudo ou transforme cada experiência em motivo de gratidão.

Ele veio se sentar do lado de dentro, perto de você.

Talvez a gratidão comece assim: não como alguém que exige entrada, mas como a sua própria mão repousando sobre a maçaneta.

Sem pressa. Sem obrigação de abrir completamente.

Apenas percebendo que ainda existe uma escolha.

Você pode deixar uma pequena passagem.

A vida raramente atravessa o limiar primeiro como um acontecimento grandioso.

Muitas vezes, ela envia sinais por baixo da porta: uma faixa de sol no chão, a voz de alguém que pronuncia o seu nome com carinho, a água fresca descendo pela garganta, uma brisa movendo a cortina, alguns minutos em que ninguém pede nada de você.

Há vida também no cheiro que desperta uma lembrança, no corpo que solta o ar depois de um dia tenso, na mensagem simples que pergunta se você chegou bem, no instante em que uma música encontra uma parte sua que ainda sabia sentir.

A gratidão reconhece esses sinais e diz: isto pode me tocar.

Ela não fabrica o que aconteceu.

Não negocia com o futuro. 

Não garante que nenhuma dor voltará.

Apenas permite que aquilo que é bom não permaneça do lado de fora só porque você precisou se proteger do que machucou.

Essa é uma abertura diferente da ingenuidade. Uma porta aberta não significa ausência de limites.

Você pode fechar a passagem para o que fere e, ainda assim, abri-la para o que acolhe.

Pode dizer não ao que invade e sim ao que chega com respeito.

Pode continuar discernindo sem impedir que toda a vida seja recebida como ameaça.

Você não precisa deixar tudo entrar para deixar a vida entrar.

Talvez hoje a sua gratidão não tenha a forma de uma emoção luminosa.

Talvez seja apenas um pequeno consentimento: eu permito que este instante seja bom.

Eu permito que este cuidado me alcance.

Eu permito que o meu corpo descanse aqui.

Eu permito que uma parte de mim acredite, por alguns segundos, que não precisa vigiar tudo.

E, quando esse consentimento acontece, algo se move por dentro.

A porta não se abre para obrigar a vida a entregar o que você deseja.

Ela se abre para que você possa receber o que já está chegando sem precisar controlar a forma, o tamanho ou a duração.

Talvez este primeiro caminho da gratidão termine assim: não com uma resposta definitiva, mas com uma porta entreaberta.

Você não sabe exatamente o que virá.

Ainda existem perguntas, desejos e partes cansadas. Mas já não precisa permanecer completamente fechada enquanto espera.

Uma fresta pode ser suficiente para a luz mudar o contorno do quarto.

Um gesto recebido pode ser suficiente para o coração lembrar que ainda pertence à vida.

Um agradecimento verdadeiro pode ser suficiente para você dizer, em silêncio: alguma coisa boa conseguiu me encontrar.

Um convite do livro

Em O mundo fantástico da gratidão, agradecer não é uma técnica para controlar o que chega.

É uma forma de reconhecer que a vida continua procurando caminhos até você.

Cada pequena percepção toca a porta interna e devolve ao coração a possibilidade de receber, sentir e participar novamente.

Um pequeno convite

Coloque uma das mãos sobre o coração e respire devagar três vezes. Imagine, sem esforço, uma porta dentro de você. Ela não precisa estar totalmente aberta.

Pergunte por dentro: “O que eu estou pronta para receber da vida hoje, sem me forçar?”

Talvez a resposta seja descanso, ajuda, silêncio, carinho, beleza ou apenas alguns minutos de paz. Deixe uma única palavra surgir e diga: “Eu não preciso abrir tudo de uma vez. Hoje, deixo uma pequena passagem para isso.”

Leve isso com você: você não precisa escancarar o coração para provar que confia na vida. Uma fresta segura também é uma abertura - e a vida sabe entrar devagar.

Em que parte desse texto você se reconheceu?

 

Carolina Tomazetti é a autora do livro da gratidão que faz parte da espiritualidade moderna

Carolina Tomazetti

Eu sou Autora e Fundadora aqui da Aurya, meu espaço dedicado à espiritualidade moderna, ao amor e à volta a nossa essência amorosa de ser.

Através dos meus livros, eu crio caminhos para compartilhar a minha caminhada do meu despertar. Quando finalmente eu compreendi, com o coração e com o cabeção, que a minha natureza é Amor.

Meu último lançamento é o livro O Mundo Fantástico da Gratidão - Criando a Realidade Física através do Amor. Esse livro é uma jornada de amor, para compreender e viver através da lógica do amor.

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