Um amor que se move dentro de você

Um amor que se move dentro de você

Um amor que se move dentro de você

Querida amiga humana,

Há dias em que você continua fazendo tudo o que precisa ser feito, mas sente que alguma coisa parou de circular por dentro.

Você acorda, organiza, responde, cuida, resolve.

O corpo segue atravessando as horas, enquanto o coração parece ter ficado alguns passos atrás.

E, quando alguém fala sobre gratidão, talvez a palavra chegue como mais uma tarefa: mais um sentimento que você deveria conseguir produzir.

Mas a gratidão não veio para cobrar movimento de uma alma cansada.

Ela veio para lembrar que, mesmo nos dias em que você não consegue sentir muito, o amor não deixou de existir em você.

Talvez ele esteja quieto. Talvez esteja recolhido.

Talvez esteja respirando baixinho em um lugar que o barulho dos últimos dias não permitiu que você escutasse.

Ainda assim, ele está aí — não porque você fez tudo certo, mas porque o amor não é uma recompensa que chega depois da perfeição.

Amor é tudo o que você é

O amor é parte daquilo que você é.

E a gratidão é uma das formas que esse amor encontra para se mover.

Ela se move quando você percebe que alguém deixou a última parte do café para você.

Quando seu corpo procura um lugar mais confortável na cama.

Quando uma lembrança boa atravessa a tarde sem pedir licença.

Quando você fecha os olhos por alguns segundos e sente que ainda existe um espaço inteiro dentro de si.

Às vezes, a gratidão não se apresenta como uma grande emoção.

Ela aparece como um pequeno deslocamento do olhar.

Por um instante, você sai daquilo que faltou e encontra o que permaneceu.

Não para negar a dor.

Não para fingir que tudo está bem.

Mas para permitir que o amor toque também aquilo que está doendo.

Porque o amor em movimento não escolhe apenas as partes bonitas da vida.

Ele se aproxima daquilo que está cansado, confuso e ainda sem resposta.

Ele coloca uma mão simbólica sobre o seu coração e diz: eu não vou abandonar você aqui.

Talvez seja isso que a gratidão faça quando é verdadeira.

Ela não enfeita o que machuca. Ela cria passagem.

Uma passagem entre você e a vida. Entre o que aconteceu e o que ainda pode nascer.

Entre a mulher que precisou ser forte por tanto tempo e a parte dela que agora deseja apenas respirar sem se defender.

Uma pequena fresta para mover o amor dentro de você

Quando você agradece por algo simples, não está diminuindo a imensidão dos seus desafios.

Está permitindo que uma pequena porção de amor volte a atravessá-los.

Um copo de água não resolve todas as perguntas, mas pode lembrar seu corpo de que ele merece cuidado.

A luz na janela não muda imediatamente o caminho, mas pode mostrar que o mundo ainda sabe chegar até você.

Uma mensagem carinhosa não apaga a solidão inteira, mas abre uma fresta por onde o afeto consegue entrar.

É assim que o amor se movimenta: nem sempre como uma onda que transforma tudo, mas muitas vezes como um gesto que impede você de se perder completamente de si.

E talvez você tenha aprendido a procurar o amor apenas fora — na resposta de alguém, na presença de alguém, na certeza de que alguém escolheria ficar.

Mas existe um amor anterior a todas essas confirmações.

Ele aparece quando você se escuta antes de se corrigir.

Quando respeita o próprio limite.

Quando não transforma um dia difícil em prova de que há algo errado com você.

Quando reconhece que ainda está aqui.

A gratidão pode começar exatamente nesse ponto: não no esforço de amar a vida inteira, mas no reconhecimento de que alguma coisa dentro de você ainda deseja se aproximar dela.

Esse desejo já é movimento.

Essa pequena vontade de voltar a sentir já é o amor procurando caminho.

Você não precisa empurrá-lo. Pode apenas criar espaço.

Talvez, hoje, esse espaço seja um minuto de silêncio antes de pegar o telefone.

Talvez seja respirar perto de uma janela.

Talvez seja lembrar o nome de alguém que fez você se sentir segura.

Talvez seja tocar o próprio peito e dizer, sem precisar acreditar perfeitamente: há amor aqui, mesmo que eu ainda esteja aprendendo a senti-lo.

A gratidão não exige que você se torne outra pessoa.

Ela aproxima você da pessoa que permanece por baixo das camadas de pressa, medo e exaustão.

E, quando esse amor volta a se mover, alguma coisa muda de lugar. Não necessariamente do lado de fora. Primeiro, muda a forma como você se encontra dentro da própria vida.

Você deixa de ser apenas aquela que suporta os dias e começa, devagar, a habitá-los novamente.

Um convite

No livro O Mundo Fantástico da Gratidão, a gratidão é esse retorno amoroso à vida: não uma obrigação de estar feliz, mas uma maneira delicada de reconhecer que a realidade também responde ao olhar, à presença e ao amor que permitimos circular.

Talvez você não precise sentir uma gratidão imensa agora.

Talvez baste reconhecer um único ponto vivo dentro de você.

Porque o amor não desapareceu nos dias em que você se sentiu distante. Ele apenas esperou uma abertura pequena o suficiente para voltar a passar.

Leve isso com você: você não deixou de ser amor só porque esteve cansada demais para senti-lo. Há um amor se movendo dentro de você — e ele conhece, devagarinho, o caminho de volta.

 

Carolina Tomazetti é a autora do livro da gratidão que faz parte da espiritualidade moderna

Carolina Tomazetti

Eu sou Autora e Fundadora aqui da Aurya, meu espaço dedicado à espiritualidade moderna, ao amor e à volta a nossa essência amorosa de ser.

Através dos meus livros, eu crio caminhos para compartilhar a minha caminhada do meu despertar. Quando finalmente eu compreendi, com o coração e com o cabeção, que a minha natureza é Amor.

Meu último lançamento é o livro O Mundo Fantástico da Gratidão - Criando a Realidade Física através do Amor. Esse livro é uma jornada de amor, para compreender e viver através da lógica do amor.

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