Do cinza ao colorido

Do cinza ao colorido

Do cinza ao colorido

Quando o mundo fica cinza

Às vezes, a vida não perde a beleza. Às vezes, é o coração que se cansa de olhar.

Tem dias em que o mundo fica cinza. Não necessariamente um cinza dramático, daquele que chega fazendo barulho. Às vezes é só um apagamento silencioso.

A vida continua acontecendo.

A casa continua ali.

A água continua saindo da torneira.

O corpo continua respirando, mesmo sem a gente prestar atenção.

Mas alguma coisa perde o brilho.

A xícara parece só uma xícara.

A comida parece só uma obrigação.

E até as pequenas coisas bonitas, aquelas que antes conseguiam tocar o coração, passam despercebidas, não porque elas deixaram de existir, mas porque, talvez, o olhar esteja cansado.

Existe um cansaço que não mora apenas no corpo. Ele mora no jeito de enxergar. Mora naquele lugar íntimo onde a vida deveria tocar com delicadeza, mas parece não alcançar mais.

E quando esse cansaço chega, tudo pode parecer igual. Tudo pode parecer distante.

A gente acorda, faz o que precisa fazer, atravessa as horas como quem atravessa uma rua conhecida demais. Mas por dentro existe uma pergunta muda:

Para onde foi a beleza?

Talvez ela não tenha ido embora. Talvez ainda esteja sentada na beira da cama, esperando ser notada.

No primeiro gole de água fresca.

Na luz entrando pela fresta da cortina.

Talvez a vida não tenha perdido a cor. Talvez o meu coração tenha esquecido como olhar.

E dizer isso já muda alguma coisa. Porque, quando eu penso que a vida perdeu toda a beleza, eu sinto que preciso consertar a vida inteira. Preciso mudar tudo. Preciso ser outra pessoa.

Mas quando eu percebo que talvez o meu coração esteja apenas cansado, alguma coisa em mim amolece. Eu não preciso me acusar. Eu não preciso transformar o cinza em festa de uma hora para outra.

Eu posso apenas reconhecer: hoje, meu olhar está cansado. Hoje, meu coração está pedindo colo. Talvez eu não consiga ver tudo. Mas talvez eu consiga ver uma coisa. Só uma.

E é aqui que a gratidão pode entrar. Não como uma obrigação. Não como uma frase pronta dizendo que eu deveria agradecer mais, reclamar menos ou ser mais positiva.

A gratidão verdadeira não entra pela porta da culpa. Ela entra como uma fresta. Uma pequena abertura por onde a luz começa a passar devagar.

Às vezes, agradecer não é sentir uma alegria imensa. Às vezes, agradecer é apenas perceber que ainda existe algo aqui cuidando de mim.

Então, em vez de perguntar "por que eu não consigo estar bem?", talvez eu possa perguntar com mais doçura: "o que ainda existe aqui que está cuidando de mim?"

Pode ser a cama que sustentou o meu corpo durante a noite. Pode ser a água descendo pela garganta. Pode ser uma xícara quente entre as mãos. Pode ser o silêncio da casa. Pode ser uma respiração um pouco mais funda.

Coisas pequenas. Quase invisíveis. Quase simples demais para parecerem importantes.

Mas talvez seja justamente por aí que o coração volta. Não pelas grandes respostas. Não pelas grandes mudanças. Não por uma revelação luminosa que transforma tudo de uma vez. Mas por uma presença pequena. Depois outra. Depois outra.

Um gole de água. Uma luz na parede. Uma frase dita com carinho para si mesma: "Eu posso voltar devagar."

Porque você pode. Você pode voltar aos poucos. Não precisa voltar brilhando. Não precisa sentir gratidão por tudo, nem fazer do dia uma poesia perfeita. Você pode apenas encontrar um pequeno respiro. Um ponto de luz no meio do cinza.

E talvez esse ponto de luz não resolva a vida inteira. Mas ele lembra algo importante: nem tudo desapareceu. Ainda existe cuidado. Ainda existe presença.

E talvez, quando você percebe isso, o mundo não mude completamente. A casa continua a mesma. O dia continua comum. O que doía talvez ainda doa um pouco. Mas alguma coisa dentro de você muda de posição. O coração para de se fechar com tanta força. A alma encontra uma fresta.

E o cinza, sem pressa, começa a receber pequenos pontos de cor. Não porque tudo se resolveu. Mas porque você conseguiu ver uma coisa boa. E uma coisa boa, quando é vista com presença, pode abrir espaço para outra.

Talvez seja assim que a gratidão começa nos dias difíceis. Não como uma lista perfeita. Não como uma obrigação de estar bem. Mas como um gesto delicado de retorno.

Voltar para o corpo. Voltar para o agora. Voltar para a vida sem exigir que ela brilhe inteira de uma só vez.

Às vezes, a vida não perde a beleza. Às vezes, é o coração que se cansa de olhar.

E quando isso acontecer, talvez você não precise se forçar a ver o mundo colorido. Talvez você só precise encontrar uma pequena fresta. Uma coisa simples. Uma coisa boa. Uma coisa que ainda esteja cuidando de você.

E deixar que ela encoste no seu coração. Devagar. Como luz entrando em um quarto que estava fechado há muito tempo.

Se essa reflexão tocou você, ela faz parte do universo de O Mundo Fantástico da Gratidão: um convite para reencontrar a beleza que já existe, uma pequena fresta de cada vez.



Carolina Tomazetti é a autora do livro da gratidão que faz parte da espiritualidade moderna

Carolina Tomazetti

Eu sou Autora e Fundadora aqui da Aurya, meu espaço dedicado à espiritualidade moderna, ao amor e à volta a nossa essência amorosa de ser.

Através dos meus livros, eu crio caminhos para compartilhar a minha caminhada do meu despertar. Quando finalmente eu compreendi, com o coração e com o cabeção, que a minha natureza é Amor.

Meu último lançamento é o livro O Mundo Fantástico da Gratidão - Criando a Realidade Física através do Amor. Esse livro é uma jornada de amor, para compreender e viver através da lógica do amor.

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